segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sábado, 22 de dezembro de 2007
Os grandes filmes de 2008
O blog ilustrada no cinema faz uma prévia de alguns lançamentos cinematográficos para o próximo ano.
Esperando ansiosamente: I'm not there, em fevereiro.
Já está em pré-estréia (ate que enfim!) Across the universe!
E o filme do Coutinho? Será que não vai passar pelas terras gaúchas? :(
Across the universe:
I'm not there
Jogo de cena
Esperando ansiosamente: I'm not there, em fevereiro.
Já está em pré-estréia (ate que enfim!) Across the universe!
E o filme do Coutinho? Será que não vai passar pelas terras gaúchas? :(
Across the universe:
I'm not there
Jogo de cena
A listagem dos melhores do ano
Ainda na temática dos melhores álbuns do ano, uma referência é a revista inglesa New Musical Express, que existe há mais de 50 anos. Outra referência bem interessante é a lista da loja Routh Trade.
As duas listagens podem ser encontradas no blog do Kid Vinil (é esse mesmo, o cara, eu sou boy!)
As duas listagens podem ser encontradas no blog do Kid Vinil (é esse mesmo, o cara, eu sou boy!)
Presente de Natal

Recomendo: 1001 discos para ouvir antes de morrer
O livro é como um imenso catálogo, em uma cronologia por décadas de álbuns que marcaram época, não somente do rock, mas também do dance, pop, blues e demais gêneros. O organizador é o jornalista norte-americano Robert Dimery, colaborador da revista Vogue. O livro tem nada mais nada menos que 90 autores - o que, digamos, já é um indício de alguma pluralidade. Tá, tudo bem, listas são sempre pessoais e tendenciosas, mas este livro, ricamente ilustrado, é prato cheio para conhecer um pouco mais da cultura musical das últimas décadas. Ou, ao menos, despertar alguns debates.
Curioso pela listagem? Pode ser conferida aqui.
Segue o link do site Letras & Livros, que tem uma entrevista com o autor, comentando as principais escolhas do livro.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Top 20 - Os melhores álbuns de 2007
20. The PostmarksA capa já leva menção honrosa de uma das mais belas do ano. Um dia chuvoso, uma moça que vai ouvir os seus discos favoritos do Belle and Sebastian: esse é o espiríto deste álbum, delicioso desde a primeira audição. A banda de Miami abre o álbum com a linda música Goodbye: "Goodbye, I’ll be coming when you open your eyes". Guitarras leves, referências aos anos 60, twee-pop da melhor qualidade.
Segue o clip coisa-mais-lindinha desta música
19. Voxtox - Voxtrot

O primeiro álbum completo do quinteto de Austin é claramente influenciado por bandas como Smiths e The Cure. Filhos da internet também, a banda conseguiu ampla divulgação do seu trabalho através de blogs de música, com hits como Your Biggest Fan e Trouble, dos seus álbuns anteriores, Raised by wolves e Mothers, sisters, daughters & wines. Destaque para a excelente faixa Firecracker e o tecladinho bacana de Stephen.O vocalista da banda, Ramesh Srivastava(eita nome complicado hein?) mantem um blog bem bacana. Confere aqui, ó.
18. Arcade Fire - Neon Bible
Simplesmente uma das melhores bandas da atualizade, o Arcade Fire consegue trazer um sopro de novidade em um mundo onde há a profusão de bandas novas, mas que apostam em fórmulas antigas.A dupla Win Butler e Regine Chassage tinham uma dificíl missão: bater o excelente álbum de estréia, The Funeral, de 2004 (meu favorito sempre, inclusive sendo escolha da minha musica de formatura, na arrebatadora Wake up). Os canadenses de Montreal nos trazem um disco novo, imprevisível, com cordas, metais, harpa e um coral gospel ao longo de suas 11 músicas: a banda alugou uma igreja para gravar o álbum. Em suas letras, transbordam sentimentos, simbolizando mortes simbólicas e renascimento. Destaque para as faixas Keep the car running e Intevention, com a presença de órgão e um clima sinistro. O nome do álbum é referência ao livro de John Kennedy Toole, que conta a história de um jovem chamado David, criado na Lousiana durante os anos 30. O protagonista do livro se vê diante de vários dilemas religiosos e políticos, e Neon Bible acompanha essas mudanças, fazendo um link com a situação da América do Norte. Referências ao mundo contemporâneo: aviões se chocando contra prédios, pedidos ao espelho mágico para saber onde cairão as próximas bombas, discussão da guerra ao serviço do terror.Ladies ands gentlemans, Arcade Fire!
17. Gotan Project - Lunático

Já imaginou o ritmo tradicional do tango mesclado com música eletrônica? Esse é o Gotan Project (trocadilho invertido de tango). A fórmula não é novidade: este já o terceiro álbum da banda, seguido do premiado La revancha del tango, de 2001, que ganhou o prêmio BBC3 Worl Music Award como "melhor estréia".A banda é formada por Phillippe Cohen Solal (francês), Eduardo Makaroff (argentino) e Christoph H. Muller (suiço). Em lunático, temos a voz da excelente cantora Cristina Vilallonga. Com mais de dois milhões de cds vendidos, o grupo fez show em Porto Alegre este ano, e, segundo os fãs, não deixou por menos. Abaixo, o lindíssimo vídeo da música Diferente.
17. The Lovekevins - Vs. The Snow

Suecos, claro! Os garotos do Lovekevins lançaram este excelente álbum, uma mescla de indie com eletro-pop, com pitadas de twee. Teclados, batidas, aquela música para ouvir e cantorolar o dia inteiro. Li, ao baixar o álbum em um blog, que o Lovekevins é algo como o Postal Service com o Peter Bjorn and John. Curiso, no mínimo, não?
16. Bishop Allen - The Broken String

A banda de Brooklin nos traz um indie pop despretensioso, marcadamente relacionado com bandas como Wilco e Arcade Fire e Pixies (diferente não?). Em 2006, a banda lançou um álbum por mês, lançando o trabalho na internet e cativando seus fãs, à espera de músicas da banda que simplesmente "grudam" na mente. Na abertura do disco, The monitor lembra um tanto o Arcade Fire, assim como Flight 180, uma balada muito bonita. Mas o forte de Bishop Allen é nas músicas mais dançantes, como Click click click!, que tem um dos clips mais bacanas dos últimos tempos. Segue abaixo.
15. Iron & Wine - The Shepherd's dog

Iron & Wine é Sam Beam, em seu projeto solo de indie-folk Iron and wine. A origem do nome é curiosa: o suplemento gastronômico que o músico encontrou em uma loja de departamentos, enquanto procurava um filme, chamado "Beff Iron &Wine". Este, que é o terceiro álbum do canadense Bem, é autoral ao extremo: ele que faz a produção, guitarras, banjo e vocais. Influenciado por Simon and Garfunkel, Neil Young e Nick Drake, Bem mistura country com indie-folk de forma excelente. Neste disco, a ousadia de Iron misura percussão e acordes eletrônicos. Destaque para a faixa Wolves.
14. Editors - And end has a start
Ta aí um álbum um tanto quanto injustiçado, considerado pela maioria da crítica como inferior ao primeiro, Back Room. Outros ainda falam que é uma reedição escrachada do álbum de estréia. Quanta injustiça com os ingleses de Birmingham. Várias vezes comparados ao Interpoll, pelo vocal grave e sombrio de Tom Smith, o Editors se consagra como excelente banda de indie pop. Auto definidos como "pós-góticos", oferecem um disco denso, em letras como The weight of the world:"Keep a light on those you love They will be there when you die."E como single, temos Smoke outside hospital dors. Ironia? imagina. Confira o vídeo, que é muito legal,aqui ó:http://www.youtube.com/watch?v=blP9LWyKqzI
13. The films - Don't dance Rattlesnake

Antes de dar qualquer crédito aos caras, com certeza, são os campeões em alguma coisa: a pior capa já produzida para um álbum. Eita mal gosto! Mas deixando esse detalhe de lado, The films tem um som muito interessante, marcadamente americano, com levadas country. A abertura do disco conta com a música Good Day, em uma letra divertida, roc'n roll, curtindo todas e mais um pouco (drogas, inclusive). A sequencia fica por conta da faixa Belt Loops, disparada a melhor do disco, falando de tédio, relacionamentos e aquele bla bla bla que todos estamos cansados, mas em uma levada bem rock e contagiante. Aliás, o álbum não traz em si novidade, mas é bem-feito e entra aqui para o top de melhores do ano.Confira a perfomance dos americanos no Vídeo de Belt Loops:
12. Los Campesinos! Sticking Fingers Into Socks

Os galeses do Los Campesinos botam todo mundo pra dançar nesse EP de estréia. Mais uma banda irreverente, nascida entre colegas de faculdade, lançada pelo quase desconhecido selo Arts&Crafts. Seu curtíssimo EP tem oito músicas, deixando a proposta de que ainda virão muitos por aí. Você ainda vai ouvir falar desses caras.
Segue o clip divertidíssimo da música You! Me! Dancing!
11. !!! - Mith Takes

Sim, o nome da banda é check check check, três pontinhos de exclamação. A doidera já começa aí.Aqui, o espaço é para a música dançante, capaz de animar o mais desolado na festa. As guitarras se destacam em faixas como My heroes are weirdos, misturadas a musica eletrônica. Na minha opinião, o !!! consegue se firmar com sua música eletrônica de forma superior ao LCD Soundsystem, que não vai ter vez aqui no top top, por sintetizar o eletrônico simples - e que eu não gosto. O !!! consegue o feito de misturar de maneira equânime e diferente rock e eletrônico, consolidando-se como uma excelente banda.A melhor faixa, claro, é Yadnus!
Sente a sequela dos caras:
10. The Maccabees – Colour It In
Os ingleses do The Maccabes são de Brighton, cidade natal de excelentes bandas como The Kooks e The Go! Team. Nitidamente influenciados pelos Talking Heads, nos oferece uma mistura dançante, que peca pelo pouco temp: 37 minutos, deixando uma vontade de ouvir mais. Destaque para as faixas Mary e Precious Time, e também a linda First Love"First love, Last love Only love, it's only love"Segue o clip da música:
9. Pelle Carlberg - In a nutshell

Mais uma vez os suecos! Pelle Carlberg é figurinha confirmada no cenário musical sueco, desde sua passagem pela banda Edson (nome em homenagem ao jogador Pelé, olha a viagem...). Pelle é um dos melhores exemplares do twee-folk, com suas músicas doces, influenciadas por Belle and Sebastian e fazendo alguns links também com os Smiths. O álbum é lindo, apaixonante faixa após faixa. O hit I love you, you imbecile é de uma ironia e ternura contagiante. Quem nunca ficou com raiva do namorado e ficou com vontade de dizer algo do tipo? Seguem as belas I just called to say i love you, com uma introdução de gaita bem animada, seguida por Why do today what you can putt off until tomorrow?, melancólica, triste, sombria. Mas você logo está cantando com a divertidíssima Clever Girls like clever Boys much more than clever girls. Viciante já na primeira audição.
8. Amy Whinehouse - Back to Black

A garota pop problemática Amy Whinehouse apresentou em 2007 seu excelente trabalho, Back to Black, seu segundo disco. Amy cresceu nos subúrbios londrinos e aos treze anos já ganhou sua primeira guitarra. Sua voz, que mais parece de uma cantora negra de soul, atinge o ápice em faixas como Addicted e a homônima do álbum, Back to Black. Mas é com You know i'm no good que Amy se consagra - de forma um tanto quanto autobiográfica. Rehab, que virou hit nas pistas de dança contando com várias releituras e um remix, conta como a garota se negou a participar de um programa de reabilitação para alcóolotras. Doidinha de pedra a Amy, que ganhou paginas nos jornais aparecendo após um espancamento pelo namorado. Amy é prato cheio para os analistas da cultura pop.
7. Sambassadeur - Migration

Os suecos fofinhos do sambassadeur nos brindaram com o álbum Migration este ano. Indie-pop da melhor qualidade, na fanfarra pop sueca que sugere um álbum para ouvir durante uma viagem. Os queridos do selo Labrador - que recebeu um post aqui no blog - foram elogiados pelo dono d selo, que disse que a canção Between the lines (do álbum anterior da banda, homônimo),foi a canção mais perfeita que ele já ouviu. Neste álbum, a banda explora ainda mais as cordas e metais, em canções com um ritmo mais intenso do que o álbum anterior. O que se evidencia neste álbum é o cuidado com a produção e os arranjos. Imperdível.
6. Feist - The Reminder

"1,2, 3, 4 tell me that you love me more!"Leslie Feist é uma cantora canadense, integrante da banda Broken Social Scene. A garota começou sua carreira montando sua própria banda punk, e foi amadurecendo musicalmente, fazendo contribuições em álbuns de músicos consagrados como os noruegueses do Kings of Convenience. Ela lançou seu primeiro álbum em 2003, em Paris, em parceria com o músico Chilly Gonzáles, intitulado Let it die, combinando jazz, bossa nova e indie pop. Seu single Mushabomm foi trilha de um comercial do perfume Lacoste, ampliando a divulgação de seu trabalho para além de seu país. The Reminder veio consolidar a carreira desta excelente cantora, em excelentes melodias como The Limit to your love. Bola fora apenas a presença cancelada este ano no Tim Festival 2007, deixando seus fãs um tanto quanto decepcionados. PS* Fora do álbum The Reminder, também temos em destaque para a lindíssima canção "La méme historie", que conjuntamente com We're all in dance, integra trilha do meu filme favorito de 2007, Paris eu te amo.
"Life’s a dance
We all have to do
What does the music require
People all moving together
Close as the flames in a fireFeel the beat
Music and rhyme
While there is time"
5. Beirut - The Flying Club Cup
Zach Condon foi, sem dúvida, uma das maiores surpresas para mim neste ano. O garoto de 21 anos surpreende com o som orquestrado e artisticamente experimental, contando com uma equipe experiente de músicos, como Perrin Cloutier (violoncelo e acordeon), Jason Poranski (viola, mandolim e ukulele), Nick Petree (bateria), Kristin Ferebee (violino), Paul Collins (orgão, teclas, ukulele), Jon Natchez (saxofone barítono, mandolim) e Kelly Pratt (trompete). Neste, que é seu segundo álbum, ele nos apresenta uma rica mistura de sons, ritmos, barulhos de metais, músicas folclóricas do leste europeu. Zach nasceu no Novo México, mas morou anos na europa, tendo muito contato com a cultura cigana e o folk, que permeia todo o seu trabalho. Zach Condon, com sua riqueza musical, representa a síntese de um grande músico pós-moderno.Segue abaixo o vídeo da belíssima faixa Nantes"Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile.."
Melancolia pura.
4. Interpol - Our Love to Admire

Na carona do The Nation, vem a trupe novaiorquina de Paul Banks, o segundo melhor vocalista de banda da atualidade. Eu me lembro da data do lançamento do disco e que TODOS os blogs tinham o álbum para baixar. Como eu não conhecia a banda, fiquei um tanto quanto receosa quanto ao pop desmesurado. Eis que meses depois eu cedi à curiosidade e pensei "putz, é realmente muito bom". Bater o Antics com hits como Evil é quase impossível, mas este álbum também é muito bom. A faixa Heinrich Maunever mosta a influência punk-pop da banda, que atinge o seu ponto alto em Rest of my chemistry. A banda está com passagem marcada para São Paulo e Rio no ano que vem, deixando uma multidão de fãs bem curiosos para conferir esse que promete ser um dos maiores shows internacionais do próximo ano.
3. The National - Boxer
Minha predileção por essa banda é escancarada: tanto que Mistake for Strangers está no topo da minha last.fm,com mais de 60 execuções. O álbum Boxer é resultado de um trabalho de 13 meses, e conta com a produção de Peter Katis (mesmo produtor de bandas consagradas como Interpol e Spoon). O vocal de Matt Berninger, grave e aveludado, confere um tom intimista ao álbum e o consagra como um dos maiores vocalistas da atualidade. Como se não bastasse, o álbum conta com as participações de Regina Spektor, Surfjan Stevens e Ryan Adams."You get mistaken for strangers by your own friends
When you pass them at night under the silvery, silvery citibank lights
Arm in arm in arm and eyes and eyes glazing under
Oh you wouldn’t want an angel watching over
Surprise, surprise they wouldn’t wanna watch
Another uninnocent, elegant fall into the unmagnificent lives of adults!"
Poesia pura. Tristeza, cinismo. Eu li em algum blog que Boxer é um disco sufocante, ainda, ADULTO. É isso mesmo.
2. Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare
O segundo álbum dos macacos do Ártico ficou com o segundo lugar na minha lista, pelo conjunto da obra. Excelentes faixas, como 505, Fluorescent Adolescent, A certain Romance tornaram o segundo álbum dos garotos um verdadeiro hino indie. Temos aqui outra banda basicamente surgida pela Internet. O show deles aqui no Brasil esse ano, no Tim Festival, provou que os guris sabem o que fazem, mantendo a simplicidade com ares de "garage band", mas divulgada amplamente, simbolizada na multidão que cantava em coro as suas músicas baixadas na net. Viva la revolucion digital!!1. Radiohead - In rainbows
A escolha é óbvia: primeiro porque qualquer coisa que o Radiohead lançasse agradaria sua tradicional legião de fãs (na qual me incluo, obviamente), ansiosos pelo lançamento de um cd desde 2003. Outra porque, mais do que uma banda de sucesso mostrando que ainda tem muito a oferecer, o Radiohead colocou em pauta a questão das músicas baixadas pela internet, disponibilizando o seu cd para download em seu site oficial pela quantia que o internauta decidisse pagar. O resultado foi excelente, e a banda conseguiu lucrar sem depender de uma gravadora e distribuidora. Apenas no primeiro dia de disponibilização para o download, o álbum foi baixado 1,2 milhões de vezes. A projeção é de que a banda tenha arrecadado mais de 4,8 milhões de libras com a iniciativa.Destaque para a faixa "Nude", onde a banda retoma os trabalhos anteriores, transpirando melancolia e toda aquela atmosfera que só o Radiohead e a voz de Thom Yorke são capazes de transmitir. Outra faixa marcante é "All i need",simples e clichê na dose correta.
Ps* ainda não escutei a segunda parte do álbum, que alguns alegam ter sido o "pulo do gato", uma vez que não é free. Comentários a posteriori.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Vale conferir
Ainda estou amadurecendo a idéia de uma listagem "melhores & piores" do ano. Vale, então, a conferida nesse link aqui ó, onde colunista do G1 elegem os piores e melhores do cinema.
Concordem, discordem. Prato cheio.
Concordem, discordem. Prato cheio.
3 efes

3 Efes - Um filme de Carlos Gerbase
Fui conferir no último sábado a sessão comentada do filme "3 Efes", de Carlos Gerbase, lá no cine Santander. Os motivos são vários - além do único dia que tenho oficialmente uma folga no horário noturno, o cine Santander é sempre convidativo, pelo ambiente diferente - para os não gaúchos, a sala aproveitou a estrutura do antigo prédio, que sediava o banco, e foi construída aproveitando o cofre que existe no subsolo. Apesar da sala ser um tanto quanto simples - longe de qualquer estrutura de sala de shopping onde tu podes te acomodar em cadeiras confortáveis, com estrutura de palanque (não riam, para alguém pequena como eu, isso faz a diferença), temos vantagens como o baixo custo do ingresso, o que me levou a pagar três reais pela sessão do filme, ainda por cima comentada pelo diretor. O Gerbase é figurinha tradicional de porto alegre, pelo seu envolvimento com o cenário cultural da cidade. Ele é um dos fundadores da produtora Casa de Cinema, uma das pioneiras aqui no Rio Grande do Sul. No seu currículo, além dos filmes Verdes Anos (1984), Tolerância (2000) e Sal de Prata (2005), temos uma passagem pela banda Os replicantes, destaque no cenário underground gaúcho dos anos 80. Agora, Gerbase se dedica à produtora, ao cinema e é professor da PUCRS. Antenado com a cultura contemporânea, Gerbase inova no lançamento do filme em três mídias: o cinema (filmado em digital), simultanemante em DVD e também na internet - com a exibição ancorada pelo patrocinador, o portal Terra.
Gosto dos trabalhos do Gerbase, apesar de não simpatizar muito com Tolerância, gostei bastante de Sal de Prata, onde entrevistei o diretor para o site onde eu colaborava. A idéia dos 3 Efes surgiu através de um professor da faculdade de psicologia da PUC, o Valadares. Segundo ele, o ser humando possui três necessidades básicas: A Fome, O Fasma e o Sexo (ou a Foda, melhor dizendo).
Quando li a sinopse de 3 Efes, achei que encontraria um filme um tanto quanto denso, talvez pesado, pelas questões abordadas. Mas essa expectativa não se cumpriu: 3 Efes é um filme que aborda temas delicados, mas com bastante humor. Contrapondo tensões, sobrevêm os risos e a simpatia com o filme é invevitável.A protagonista do filme é Sissi (Cris Kessler), universitária, que assiste a sua família passar por grandes dificudades financeiras, e não consegue ajudar com seu salário de atendente de telemarketing. Com a sugestão de sua amiga Giane (Ana Maria Manieri), acaba decidindo virar garota de programa. Paralelo ao drama de Sissi, vários outros personagens acabam tendo situações de impasse em suas vidas: a tia, ex-garota de programa, mal-casada, o que a leva a manter um caso com um papeleiro; o publicitário casado com ela, que enfrenta uma crise no trabalho e termina por ser manipulado, o fotógrafo que se apaixona pela protagonista e é desprezado, o taxista-cafetão que faz mea-culpa para garantir o seu dinheiro, o irmão de Sissi que compara a história dos três porquinhos à fome que passa em casa. Ok, a essa altura do campeonato está mais parecendo uma novela das oito, não é mesmo?
Mas grandes histórias são contadas, muitas vezes, através de argumentos clichês, que permeiam o imaginário do público, sim. E é interessante observar como Gerbase conduz sua história, que elementos ele usa para mostrar seus personagens - muitas vezes, em suas escolhas, tendo sim, que estereotipar alguns, para que a história tenha ritmo e possa funcionar - mas muitas vezes, mostrando nuances do persoanagem que nos surpreendem. Cris Kessler está muito bem no papel de Sissi, fazendo a personagem de forma adorável e sonhadora - a universitária que sonha em se casar com seu namorado após concluir a faculdade, que imagina que a opção por virar prostituta é algo apenas "temporário". A personagem tem seus sonhos, e é confrontada com uma realidade que nem ela mesma se imagina viver. Como falou Gerbase na sessão comentada, o grande erro de Sissi foi não se imaginar como uma prostituta, o que causou o pavor e o choque de realidade que vemos a personagem vivenciar. Cris Kessler está muito bem no papel, o que reforça, conforme o diretor mesmo disse, que 3 Efes é um filme focado na atuação, e não na técnica - consequencia do orçamento de 30 mil reais previsto para sua execução.
Ana Maria Manieri, apesar de ser uma excelente atriz, está um tanto quando limitada ao vivenciar a personagem Giane, talvez pelas poucas possibilidades que a personagem oferece. Carla Cassapo, que vive Martina, a tia de Sissi, transita bem entre as nuances da personagem - a recatada dona-de-casa mal-casada, ex-prostituta, que vê em seu romance com um papeleiro uma grande transgressão. Os mais chatos podem questionar : mas que verossimilhança pode haver em um romance entre uma burguesa e um papeleiro? Mas a situação posta em xeque aqui é a de transgressão e a de contraste social. Uma das falas mais interessantes da personagem é um comentário sobre o amante, que "apesar de ser papeleiro, tem um cheiro bom". A crítica social é escancarada, beirando o pastiche, mas a curiosidade em observar o que realmente poderia acontecer em uma situação absurda como essa ainda é maior. Outros absurdos, como o fotógrafo picareta que vai fotografar a recém-prostituta Sissi e que acaba se apaixonando são usados para descontrair e muitas vezes brincar com a extrema seriade que os temas abordados aparecem. Na minha opinião, são grandes enriquecedores do filme.Como ponto negativo, confesso que não fiquei satisfeita com o conceito de "fasma". É um ponto tenso no roteiro, explicitado no início do filme, quando Gerbase, em tom enciclopédico, buscando referencias em Jorge Furtado (Ilha das Flores) tenta resolver. Sinceramente, não fiquei satisfeita: acho que a amplitude do conceito acaba tornando tudo "um samba do crioulo doido", onde o fasma pode representar qualquer coisa. Fasma, conceituado no próprio filme, é a capacidade de se imaginar em outra situação, ou meramente, representação. Segundo Gerbase, o filme todo questiona o conceito de fasma - muito explicitado no drama de Sissi, que não consegue se ver como prostituta. Para fechar o filme, os três Efes são r
epresentados na cena de sexo entre Martina e Wiliam (Paulo Rodrigues), a mais divertida do filme, sem dúvida.Ponto para os cenários porto-alegrensenses e a luz da cidade. Ponto para as grandes sacadas e diálogos impagáveis (que as vezes esbarram em bairrismos, mas que não tiram mais uma vez o mérito do filme), além das excelentes atuações dos atores. 3 Efes te faz sair com um sorrisão do cinema, e, sinceramente, vale sim o ingresso, a olhada na internet, a espiadinha no DVD. Não dá pra passar batido.
site oficial do filme
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